Délfica
Regimes

Simples Nacional versus Lucro Presumido: como escolher o regime certo em 2026

Publicado em 2026-06-04 · Atualizado em 2026-06-14 · Por Délfica

Escolher entre Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real é uma das decisões tributárias mais impactantes para uma PME brasileira. A escolha certa pode economizar dezenas ou centenas de milhares de reais por ano. A escolha errada, com autuação, custa muito mais. Este guia compara os três regimes em 2026, com a Reforma Tributária em fase de transição.

Os três regimes em resumo

Simples Nacional (até R$ 4,8 mi/ano)

Regime unificado de tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IPI, ICMS, ISS e INSS patronal) em guia única, a DAS, com alíquota efetiva entre 4% e 19,5% dependendo da faixa de receita e do Anexo (I a V). Em 2026, sem destaque de IBS/CBS; obrigação só a partir de 2027. Veja /blog/reforma-tributária-2026-pmes.html.

Lucro Presumido (até R$ 78 mi/ano)

IRPJ e CSLL calculados sobre uma presunção de lucro (8%, 16%, 32% ou 100% da receita conforme a atividade). PIS/COFINS são cumulativos (3,65% sobre receita). ICMS e ISS seguem regimes próprios. Em 2026, destaque de CBS e IBS já em testes. Para serviços, a presunção alta torna o regime menos atrativo.

Lucro Real (sem limite de receita)

IRPJ e CSLL calculados sobre o lucro contábil efetivo (com ajustes). PIS/COFINS não-cumulativos (permitem crédito sobre insumos e despesas operacionais). Indicado para empresas com margem baixa, alto volume de insumos ou prejuízo fiscal. Em 2026, destaque de CBS e IBS em testes.

Critérios de decisão

A escolha do regime depende de cinco variáveis principais:

  1. Receita bruta anual: até R$ 4,8 mi é o teto do Simples; até R$ 78 mi é o teto do Presumido.
  2. Atividade econômica: o Anexo do Simples (I a V) e a presunção do Presumido variam. Comércio, indústria, serviços e locação têm cargas muito diferentes.
  3. Margem operacional: empresas com margem alta (acima de 20%) podem pagar menos no Presumido; empresas com margem baixa se beneficiam do Real.
  4. Volume de insumos e despesas: empresas com muitos insumos aproveitam os créditos do Lucro Real, que não existem no Simples nem no Presumido.
  5. Folha de pagamento: o INSS patronal no Simples (via Anexo) costuma ser menor, mas a Reforma Tributária 2027 muda o jogo.

Exemplo prático

Empresa A: comércio varejista, R$ 2 mi/ano, margem 15%

  • Simples (Anexo I): alíquota efetiva ~6%, total de tributos ~R$ 120.000/ano.
  • Presumido (presunção 8%): IRPJ+CSLL ~R$ 22.000; PIS/COFINS 3,65% ~R$ 73.000; ICMS ~R$ 180.000; total ~R$ 275.000/ano.
  • Simples é a melhor opção, com folga de R$ 155.000/ano.

Empresa B: indústria, R$ 10 mi/ano, margem 8%, insumos 50%

  • Simples: fora, receita > R$ 4,8 mi.
  • Presumido (presunção 8%): IRPJ+CSLL ~R$ 110.000; PIS/COFINS 3,65% ~R$ 365.000; ICMS ~R$ 900.000; total ~R$ 1.375.000/ano.
  • Real: lucro contábil ~R$ 800.000; IRPJ 15% + 10% adicional = R$ 200.000; CSLL 9% = R$ 72.000; PIS/COFINS não-cumulativo com crédito sobre R$ 5 mi de insumos ~R$ 165.000 líquido; total ~R$ 437.000/ano + ICMS.
  • Real é a melhor opção, com economia >R$ 900.000/ano sobre o Presumido.

Como decidir em 2026

  1. Revise a receita dos últimos 12 meses e projete o próximo ano. Se está perto do sublimite do Simples (R$ 4,8 mi), faça a simulação anual.
  2. Calcule a margem operacional real (receita - custos - despesas operacionais, sem IRPJ/CSLL).
  3. Liste o volume de insumos e despesas com direito a crédito (matéria-prima, energia, frete, aluguel, serviços técnicos, com XML e classificação).
  4. Simule os três regimes com a IA fiscal da Délfica, usando o histórico de NF-e emitida e recebida.
  5. Valide com seu contador e registre a opção formal na primeira declaração do ano.

Para o detalhamento da Reforma Tributária e o impacto em 2027, veja /blog/reforma-tributária-2026-pmes.html.

Referências oficiais